Deficiente visual arranca placas de trânsito para realizar protesto.

Notícia do Dia.
Publicado em 17/03-19:28 por:
Aldo Urban. Atualizado em 17/03-21:24

Odair Pavesi, psicólogo de 46 anos, retirou sinalizações instaladas em altura inferior à determinada pela legislação em Joinville

Sandro Alberto Gomes
@SandroGomes_ND
JOINVILLE
Joyce R. Giotti/ND

Motivo: Odair Pavesi se feriu após bater a cabeça em placa no Centro de Joinville


Setenta e quatro dias após ferir a cabeça em uma placa de trânsito instalada abaixo dos 2,10 metros determinados pelo Código Brasileiro de Trânsito e ter denunciado a situação, o psicólogo e deficiente visual Odair Pavesi, 46 anos, realizou um protesto diferente nesta quarta-feira (16). Ele arrancou, literalmente, duas placas que estavam nas mesmas condições e as levou até a Conurb – Companhia de Urbanização de Joinville. O novo diretor de Trânsito da companhia, Renato Godinho, reprovou o gesto.

A primeira placa arrancada ficava em frente ao Shopping Mueller, no cruzamento das ruas Felipe Schmidt e Pedro Lobo. A princípio, Pavesi pretendia desparafusar a placa, mas como havia rebites de fixação, decidiu arrancá-la inteira, calmamente. A sinalização de conversão à direita estava a uma altura de aproximadamente 1,70 m de altura em relação ao chão.

Minutos depois, ele foi até a esquina das ruas 9 de Março e João Colin e arrancou a segunda placa, de conversão à esquerda, que estava ainda mais baixa, a cerca de 1,50 m. Ele pretendia arrancar outras sinalizações de trânsito que considera irregulares e estão instaladas no centro, mas deu-se por satisfeito. Um brilho nos olhos iluminava sua face quando decidiu entregar as placas na Conurb, para evitar possível acusação por roubo ou depreciação de patrimônio público.

Antes disso, ele ficou surpreso ao constatar que exatamente em frente ao prédio da companhia, na rua 15 de Novembro, duas placas estão abaixo da altura preconizada pelo CBT. Para agravar, um buraco com aproximadamente um metro e meio de profundidade está ao lado da faixa de pedestres, uma armadilha que pode ser fatal para quem não enxerga ou mesmo está distraído. “Eu podia morrer se caísse aqui”, diz, enquanto tenta alcançar o fundo da cratera com sua bengala.

Ferimento em acidente

No dia 3 de janeiro, Pavesi andava pela rua 9 de Março, esquina com a Comandante Lepper, quando sofreu um acidente por causa de uma placa que não respeitava a altura. Ele cortou a testa ao bater a cabeça na placa que estava a 1,64 m de altura. Do mesmo modo que a deficiência visual, vai levar a cicatriz pelo resto da vida. Na época, a Conurb informou que havia notificado a empresa responsável pela colocação das placas. O prazo para a correção do problema seria de 60 dias. Como até ontem nada havia mudado, o protesto se configurou.

Pavesi diz que não entende como em locais nobres do Centro da cidade, a exemplo do Shopping Mueller, que é um ponto turístico, ainda seja possível encontrar sinalizações fixadas de forma irregular, pondo em risco a segurança de deficientes visuais. “Imagine então nos bairros como está a situação”, observa, acrescentando que “a Conurb tem uma forma simplista de resolver as coisas, achando que é só notificar a empresa”.

Segundo ele, numa caminhada de uma hora pelo Centro, é possível deparar-se com inúmeras placas irregulares. Na semana passada, ele se deparou com a placa em frente ao shopping. Foi a gota d´água, o estopim para o protesto: “Pensei! É demais”, relata. “Como a Conurb não cumpriu o que havia acordado quando sofri o acidente, não tem moral para cobrar nada de ninguém”, disse, ao refletir que existe a possibilidade de ser rechaçado, responsabilizado ou processado pelo protesto.

“Mas aí vai ficar no zero a zero. Também estou processando eles. É melhor me processarem que outra pessoa se ferir por um erro deles. Um erro que não precisa existir, porque há normatização. A Conurb, que tanto cobra o cumprimento da lei, deveria dar o exemplo”, critica.

Especialização em psicologia

Nascido em Vidal Ramos há 40 anos, Odair Pavesi mora em Joinville. Nasceu com glaucoma, doença que evoluiu até tirar-lhe a visão aos 14 anos. Mesmo cego, Pavesi formou-se em psicologia pela Univali. Ia de Joinville a Itajaí diariamente para estudar. Andava 6 km diários na ida e volta da rodoviária à universidade e vice-versa.

Depois, fez especialização em psicodrama e obteve título de especialista em psicologia hospitalar. Com tanto conhecimento, além da sensibilidade adquirida pela evolução de outros sentidos, Pavesi percebe que a situação está piorando para os deficientes visuais em Joinville. “Nunca vi tanta dificuldade para me locomover”, comenta.

A confiança, reforça ele, é uma das coisas mais importantes para a pessoa cega. E compara: “É o oposto do São Tomé, que só acredita vendo; o cego tem que acreditar sem ver. Quando a gente vai para a rua, tem a confiança que não vai encontrar um buraco pela frente. Mas hoje a gente sai com uma sensação de medo”.

Ação contestada

Recém-empossado como diretor de Trânsito da Conurb, Renato Godinho recebeu as duas placas de sinalização das mãos de Odair Pavesi. O diretor explicou que, como a diretoria e presidência da companhia assumiram recentemente, será necessário um tempo para que a situação se regularize e possa voltar a cobrar o cumprimento do prazo da empresa responsável pelo serviço.

Ao mesmo tempo, contestou a ação, advertindo Pavesi que pode colocar vidas em risco. “Você não pode tirar as placas de trânsito, você pode causar um acidente. Placas de trânsito não podem ser retiradas da via. Você está dando um péssimo exemplo, algo que eu não esperava de você. Um erro não justifica o outro”, contestou Godinho, ao informar que, em nome da amizade com Pavesi, o gesto será relevado e as soluções pensadas para o mais breve possível.

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Fotógrafo é agredido por proprietário de concessionária da Conurb.

Matéria do Gazeta de Joinville.

ROGÉRIO GIESSEL
rogerio@gazetadejoinville.com.br

Uma covarde agressão física sofrida pelo fotógrafo Paulo Caetano, do jornal A Gazeta de Joinville, e que teve como autor, Sidney Martins Carlos, o Sid, proprietário da empresa Guincho Truck Auto Socorro Ltda, concessionária da Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb), deixou ainda mais claro a certeza de impunidade que paira sobre os envolvidos na questionável fiscalização de trânsito feita em Joinville. A Guincho Truck, é a empresa responsável pela remoção dos veículos apreendidos pela Conurb.

Na manhã do último dia 2, a equipe de reportagem da Gazeta, foi até a empresa concessionária para apurar uma denúncia feita pela dona de casa, Rosemar Vallim, 51 anos, que teve seu veículo danificado pela empresa de Sidney. (Leia matéria abaixo) Após inúmeras tentativas da equipe para ouvir o proprietário da Guincho Truck Auto Socorro Ltda, o fotógrafo Paulo Caetano resolveu fotografar a fachada da empresa, quando inexplicavelmente começou a ser espancado por Sidney Martin. Ensandecido e com uma covardia sem precedentes, Sidney desferiu socos e pontapés no fotógrafo.

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Conurb tenta explicar ações.

Matéria do Gazeta de Joinville.

A Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb) enviou nota à imprensa na tentativa de esclarecer para a população o porquê das polêmicas blitz e multas concedidas por seus agentes de trânsito. A explicação da instituição levantou novamente a dúvida: Polícia Militar e Conurb têm que estar juntas em blitz?

A Conurb defende que existe um convênio firmado entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa do Cidadão, Detran/SC, Polícia Militar de Santa Catarina e o município de Joinville, que estabelece condições para uma ação conjunta entre as partes conveniadas “visando a fiscalização do trânsito, aplicação de medidas administrativas, autuando e aplicando a retenção e a remoção do veículo”. “O objetivo do convênio é que agentes e policiais militares trabalhem em conjunto nas operações de fiscalização”, diz em nota o presidente da companhia, Tufi Michreff Neto.


Comandante da PM diz que vai tentar derrubar convênio

Se na teoria existe um convênio, na prática a relação entre PM e Conurb não está bem. O comandante do 8º Batalhão da PM, o tenente coronel Edivar Bedin, em entrevista para esta Gazeta, mostrou seu descontentamento com as ações dos agentes de trânsito. “O convênio irá vencer logo, e eu não vou ficar calado se pretenderem renovar esse convênio. Se depender de mim, ele não será renovado. Se um superior meu resolver renovar, eu vou protestar”, explicou Bedin.

Segundo ele, estará mais próximo de blitz dos agentes. “O que eu considerar ilegal ou abusivo, terá como consequência a prisão dos agentes de trânsito envolvidos”, enfatiza, e acrescenta: “Eu acho a atividade dos agentes de trânsito ilegal e abusiva. Compete ao cidadão reclamar”.

Em nota à imprensa, o presidente da Conurb ainda destaca que a atuação dos agentes surte efeito no trânsito de Joinville e diminui os números de acidentes na cidade. No entanto, dados do Corpo de Bombeiros de Joinville mostram que houve aumento. Em 2009 foram 4,9 mil atendimentos enquanto em 2010 houve 5,5 mil. De 2008 para 2009 também houve elevação nos números de acidentes.

PM quer revisão de contrato.

A notícia – 02/03/2011.

A Polícia Militar de Joinville recebeu a orientação de aceitar o convênio entre o governo do Estado e a Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb) para que o órgão municipal aplique multas de trânsito. A decisão foi tomada ontem em reunião do comando da PM na Capital e que teve a participação de representantes da 5ª Regional e dos 8º e 17º batalhões.

Mas o chefe de comunicação social da PM no Estado, coronel Marcos Antonio Vieira, disse que a PM pedirá a revisão de pontos do contrato. “Nosso jurídico vai entrar em contato com a Secretaria de Segurança Pública e com o Detran para analisarmos algumas questões.”. Ele não adiantou quais seriam as cláusulas do contrato entre governo do Estado e Conurb que a PM pedirá revisão.
Segundo o comandante do 8º BPM, tenente-coronel Edivar Bedin, o que o comando decidiu é que precisa ser especificado o que compete a cada órgão, Conurb e PM. “Hoje, está muito genérico. Queremos que cada função seja descrita especificamente”, disse. O convênio atual vale até 12 de agosto de 2012. O presidente da Conurb, Tufi Michreff Neto, disse que não tinha conhecimento do encontro, mas que não esperava outra atitude do comando estadual. A intenção agora, segundo Tufi, é retomar a parceria com a Polícia Militar, principalmente na realização das blitze. “Trabalhar em conjunto vai trazer mais seguranças para todo mundo”, acredita.

Carlito aprendeu o que é um canetasso*.

Caminhão da Prefeitura de Joinville é multado pela Conurb

Segundo a Conurb dois funcionários viajavam no compartimento de carga e lacre da placa do veículo também estava rompido.


 

Um caminhão que presta serviços à Prefeitura de Joinville foi multado pelos agentes de trânsito da Conurb na manhã desta segunda-feira. O veículoMercedes Benz LP 321, placa MBB-7898, seguia pela avenida Hermann Augusto Lepper com dois homens viajando na carroceria.

Dois agentes de trânsito que faziam o patrulhamento naquela região do Fórum perceberam a irregularidade e abordaram o condutor. “O artigo 230, inciso dois do Código Nacional de Trânsito proíbe conduzir passageiros em compartimento de carga. Paramos o veículo por isso e, em vistoria, constatamos que a placa do caminhão estava com o lacre rompido. Assim, ele foi autuado e o caminhão será recolhido para o Pátio.”, informou o agente Afonso.

As duas infrações são consideradas gravíssimas e rederam sete pontos cada, ao motorista. A empresa e o condutor foram multados em R$383,04. O caminhão foi apreendido e levado ao pátio da G-Truck. “Estamos aqui para garantir que o Código Nacional de Trânsito seja respeitado, a legislação é feita para todos, por isso, mesmo sendo um veículo da prefeitura ele foi abordado e como estava em situação irregular autuado”, completou Afonso.

Seinfra admite problema

O gerente da unidade de transporte e vias públicas da Seinfra (Secretaria de Infraestrutura), Luiz Cesar Keufner, lamentou o ocorrido, mas acredita que o agente de trânsito agiu de forma correta. “Não é pelo fato de se tratar de um veículo da prefeitura, oficial, ou terceirizado que ele não esteja sujeito às normas de trânsito. O agente está com toda razão”, reconhece.

Leia a reportagem completa na edição desta terça-feira do Jornal Notícias do Dia

Fontes:
Publicado em 28/02/11 – 13:18 por Windson Prado. Atualizado em 01/03/11 – 19:10

*Expressão usada para se referir ao ato de rabiscar multas
indiscriminadamente no bloquinho de notas.

Viatura da Conurb com licenciamento atrasado era utilizada para multar.

ROGÉRIO GIESSEL

rogério@gazetadejoinville.com.br


Como um deboche, a Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb), vergonhosamente não cumpre aquilo que cobra dos motoristas joinvilenses. Suas questionáveis blitzes têm sido implacáveis com motoristas que transitam com o licenciamento vencido, no entanto, a própria Conurb circulava com veículo irregular. Escandalosamente, a viatura em questão era usada pelos agentes de trânsito para multar.

Na manhã de quinta-feira (4), por volta das 11h40, na avenida Aluisio Pires Condeixa, em frente ao número 3055, no Saguaçu, o Corsa, placas MBY 9318, de propriedade do Fundo de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville, com adesivos da Conurb e dotado de um pomposo giroflex, era utilizado por dois agentes que  sorrateiramente escondidos atrás de uma árvore (FOTO AO LADO) tentavam flagrar motoristas acima da velocidade com um radar móvel.

Uma consulta ao sistema do Departamento Estadual de Trânsito, feita no mesmo dia, às 14h49, revelou que o veículo usado pela Conurb foi licenciado pela última vez no dia 27 de agosto de 2009, ou seja, desde o dia 31 de outubro o carro trafega sem o devido licenciamento. Mas, o OCR, equipamento que faz a leitura de placas e que é utilizado pela Conurb para detectar carros com a documentação irregular, “coincidentemente” não acusara a irregularidade no carro da oficial.


Foto tirada na manhã de ontem (quinta-feira, 4), as 11h50

Como se não bastasse, o prontuário do veículo de quem deveria dar o exemplo, ainda registra duas multas. A primeira é do dia 16 de setembro de 2003, por excesso de velocidade, a qual, estava em processo de recurso e que foi indeferido em 9 de julho de 2004. A outra, de 4 de fevereiro desse ano, é devido ao condutor estar dirigindo com apenas umas das mãos, no Km 41 da rodovia federal BR 101. (abaixo – clique para ampliar)

O importante é multar

Os dois agentes flagrados com o carro irregular também serviu para denunciar o descaso da Conurb com a infraestrutura viária de Joinville. Enquanto multavam os carros, uma placa de sinalização localizada ao lado dos agentes e que deveria estar indicando uma perigosa curva à 50 metros do local, ostentava um velho adesivo de uma antiga campanha eleitoral.
Pelo péssimo estado da placa, o descaso com a sinalização já tem algum tempo. Apesar dos dois anos da administração do PT, é provável que a desculpa pela placa inelegível seja atribuída a “gestão anterior”.

Ainda mais grave, foi a constatada prioridade dos agentes da Conurb. A cerca de 20 metros do local, na rua D. Francisca, paralela a rua onde estava a dupla de agentes de trânsito, alunos de um colégio particular arriscavam a vida para atravessar a rua disputando espaço com o intenso movimento de veículos.

No mesmo horário, na rua Max Colin, em frente ao ginásio Ivan Rodrigues, outra blitz da Conurb abarrotava o caminhão cegonha da empresa Guincho Truck com veículos em situação semelhante ao Corsa da companhia.  Por sinal, a Ghincho Truck, que faz a remoção dos automóveis apreendidos também tem sido alvos de constantes reclamações devido a pratica de exorbitantes preços.

O que diz a Conurb

Questionado sobre a absurda situação envolvendo a viatura da Conurb, o diretor de vigilância e trânsito, Lourival de Souza, informou que a coordenadora de gestão de pessoas e patrimônio, Daniela Cristina Martins Henschel é que explicaria a infração cometida pela Conurb.

Entretanto, a Gazeta de Joinville tentou insistentemente contato com Daniela em seu telefone celular, mas, ela não atendeu as chamadas.

Mais tarde, às 17h15, Lourival ligou para a redação alegando que o licenciamento estava em dia, e que a única irregularidade constatada era a de os agentes não estarem com os documentos de porte obrigatório. “O licenciamento foi pago no dia 18 de outubro e o documento foi pego somente hoje”, afirmou.

Mas, o fato é que o licenciamento do veículo referente ao ano 2010, passou a constar no sistema do Detran apenas às 17 horas, depois que a Conurb foi questionada sobre a irregularidade pela Gazeta de Joinville, ou seja, até aquele horário a viatura estaria sim trafegando em situação irregular como constava na consulta consolidada de veículos do sistema Detrannet.
Sobre as multas, o diretor disse que a referente ao excesso de velocidade foi paga em 25 de agosto de 2004, e a outra, aplicada por uma policial rodoviária federal, está em fase de recurso. Isso mesmo, ironicamente a Conurb também recorre das multas.

Fonte: Gazeta de Joinville